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domingo, 8 de maio de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
BALADA DE AMOR NA PRAIA
Ai como sofre o corpo que se esfrega
no corpo que se entrega e não se entrega
é como a convulsão da preamar
a querer atirar o mar no ar
a onda rija bate como espada
nos musgos da mulher ensolarada
guelras arfantes, pernas semifusas
gritam sombras morenas de medusas
e a verde rocha em V vê o duelo
do peixe azul fisgado no amarelo
compondo um bicho humano sobre a praia
que se desfaz em rendas e cambraia
moluscos musculares do desejo
decápode do homem - caranguejo
anêmonas e polvos complacentes
a resvalar de abismo inocentes
como se amar no mar fosse encontrar
nossa animalidade elementar
qual fosse o ser na praia (duplicado
de amor) bicho de amor do mar gerado
cujas garras fatais persuasivas
deslizam pelas angras sensitivas
pelos quadris que dançam pelos frisos
conjugais - ziguezague de mil guizos -
garras que buscam a melhor textura
no ventre no pescoço na cintura
já quase a devorar a lua cheia
no litoral do céu feito de areia
e o sol diz nomes feios para a lua
pedindo que ela entenda e fique nua
para que possa a coisa hermafrodita
mudar a vida breve e infinita
e quando enfim de amor o bicho - arraia
na confusão voraz freme e se espraia
é como a convulsão da preamar
que conseguiu jogar o mar no ar
_ Paulo Mendes Campos _
no corpo que se entrega e não se entrega
é como a convulsão da preamar
a querer atirar o mar no ar
a onda rija bate como espada
nos musgos da mulher ensolarada
guelras arfantes, pernas semifusas
gritam sombras morenas de medusas
e a verde rocha em V vê o duelo
do peixe azul fisgado no amarelo
compondo um bicho humano sobre a praia
que se desfaz em rendas e cambraia
moluscos musculares do desejo
decápode do homem - caranguejo
anêmonas e polvos complacentes
a resvalar de abismo inocentes
como se amar no mar fosse encontrar
nossa animalidade elementar
qual fosse o ser na praia (duplicado
de amor) bicho de amor do mar gerado
cujas garras fatais persuasivas
deslizam pelas angras sensitivas
pelos quadris que dançam pelos frisos
conjugais - ziguezague de mil guizos -
garras que buscam a melhor textura
no ventre no pescoço na cintura
já quase a devorar a lua cheia
no litoral do céu feito de areia
e o sol diz nomes feios para a lua
pedindo que ela entenda e fique nua
para que possa a coisa hermafrodita
mudar a vida breve e infinita
e quando enfim de amor o bicho - arraia
na confusão voraz freme e se espraia
é como a convulsão da preamar
que conseguiu jogar o mar no ar
_ Paulo Mendes Campos _
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
FLORES DO MEU JARDIM - PRIMAVERA 2010
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
Quero vivê-lo em cada vão momento
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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